17 de janeiro de 2013

Autores e seus Personagens: Tilly Bagshawe (A discípula)

Olá, amigos e amigas... Sentiram saudades? 

Bem, devido ao sucesso do post Autores e seus Personagens: Sidney Sheldon resolvi fazer uma continuação. E o motivo para isso é bem simples: mesmo após sua morte, Sidney Sheldon ainda é um dos autores mais vendidos do mundo – figura no Guinness World Records como um dos escritores mais traduzidos do mundo. Ele é também o único escritor a ter ganhado um Oscar, um Tony e um Edgar.

Quando Sidney Sheldon faleceu em 30 de janeiro de 2007, os fãs caíram no abismo (inclusive eu). Como iríamos sobreviver sem mais um novo romance do grande Sidney Sheldon, sem os personagens maravilhosos, as situações dramáticas ou as cenas hot? Foi nesse momento que a viúva Alexandra Sheldon intercedeu. No ramo literário é comum que famílias de autores consagrados  transformem seus nomes em "marcas" após sua morte e convidem algum novo autor para dar continuidade ao legado. Tilly Bagshawe foi a escolhida.

Tinha que ser ela (Tilly caiu nas graças da família Sheldon antes mesmo da morte do escritor). E não poderia ser outra, digo isto, pois, enquanto elaborava o post, vi em certos blogs muitas opiniões negativas sobre Tilly Bagshawe ter sido a escolhida, onde as opiniões (que não concordo em nada) se resumem em "não vejo o estilo do Sheldon nas novas obras". Bem, deixe-me esclarecer alguns pontos: 


  • objetivo, neste projeto, da família Sheldon, é que a nova geração de leitores tenha a oportunidade de conhecer as obras e o estilo do grande Sidney Sheldon (claro, também não precisamos ser hipócritas, há desejo financeiro nisso tudo).  
  • Não vejo necessidade de ficar lembrando, contudo, devido aos últimos pormenores içados no inicio desse post, é preciso ser dito que Sidney Sheldon e Tilly Bagshawe são duas pessoas diferentes, mas com semelhanças na escrita.
  • Tilly Bagshawe não saiu do nada, como muitos fãs (leigos) do Sidney Sheldon argumentam. Ela é britânica, jornalista e romancista. Ela era apaixonada pelos romances do Sidney Sheldon, e muito do seu estilo se deve ao próprio Sheldon. 
  • Num certo dia de sol :) Tilly enviou seu romance "Adorada" junto a uma carta para seu escritor favorito. Nunca passou pela cabeça de Tilly que o grande Sidney Sheldon responderia sua humilde carta ou que ele leria seu livro. Contudo, alguns meses depois, Sheldon respondeu elogiado-a pela obra e solicitando um encontro com ela. Infelizmente o autor faleceu antes deste encontro acontecer.  
  • Tilly Bagshawe é fiel ao estilo melodramático do Sidney Sheldon. A esposa do autor, Alexandra Sheldon, acompanha de perto a construção dos livros para que nada fuja daquilo que o autor escreveria de fato.


Ao todo, Sidney Sheldon publicou 25 livros. Após a sua morte, a família de Sheldon autorizou Tilly Bagshawe a publicar uma continuação da saga familiar dos Blackwells de O Reverso da Medalha, A Senhora do Jogo, já que, conjectura-se, que tal continuação era um desejo do próprio Sheldon. Tilly Bagshawe, a discípula, fez um trabalho extraordinário, trouxe de volta tudo o que os livros de Sidney Sheldon tem de melhor: personagens complexos e marcantes, muitas intrigas e reviravoltas, e aquele famoso suspense melodramático que nos impede de largar o livro até terminá-lo.

"Sidney Sheldon é meu ídolo desde a adolescência. Foi uma grande responsabilidade ter meu nome associado a uma marca tão forte", disse Tilly Bagshawe à Revista Veja.

Nas mãos de Tilly Bagshawe, os livros com a marca Sidney Sheldon continuam sendo estrelados por personagens femininas sofridas e fortes. É possível sentir o estilo do Sheldon ecoando pelas páginas - como se seu espírito genial continuasse entre nós. Só para constar, até agora já são três livros publicados: A Senhora do Jogo (2009), Depois da Escuridão (2010), Anjo da Escuridão (2012), os dois últimos são enredos independentes, criados pela Tilly Bagshawe, mantendo o estilo do mestre.


CURIOSIDADES

  • Como em obras posteriores, A Senhora do Jogo (2009) não trai o espírito de Sheldon. Tilly buscou ser fiel até nas escolhas vocabulares do escritor – contando com a colaboração da viúva Alexandra, que fiscalizou cada palavra do livro. 
  • No livro A Senhora do Jogo (2009) há uma cena na qual um paparazzo está pendurado em uma árvore para obter uma foto de Eve Blackwell. Tilly dizia que o frio era tanto que estava congelando uma parte íntima (o termo era grosseiro) do personagem. Alexandra Sheldon observou que o marido teria preferido outra palavra. Versão final: o fotógrafo estava ficando com o traseiro congelado.
  • Na indústria póstuma, a marca às vezes não é um escritor ou um livro, mas, como vemos por aí, um personagem memorável. O exemplo ancestral é o Sherlock Holmes, de Arthur Conan Doyle, licenciado para os mais diversos usos – em livros, no cinema, na publicidade, nessa categoria, entra também o James Bond, de Ian Fleming, que ganhou uma inesgotável sobrevida no cinema e em romances de outros autores. Por sua vez, Sidney Sheldon não ficou associado a uma única criatura, pois ele foi o criador de uma numerosa galeria de mulheres sofredoras e determinadas (inseridas num enredo digno das câmeras de Hollywood), ou seja, seu estilo narrativo transformou-se em um legado.
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